"Muitas vezes, no LinkedIn ou em reuniões de negócios, vemos apenas o cargo: Nacib, sócio da FN Energy. Mas quem é a pessoa por trás do profissional? Recentemente, abrimos o jogo sobre essa trajetória..."
O "Nacib de dentro da empresa" e o "Nacib de fora" são, na verdade, a mesma pessoa movida por uma filosofia simples: o ser humano é um "bicho relacional". Hoje, contamos um pouco da história desse engenheiro que se tornou um tradutor de negócios no setor elétrico.
Para entender o Nacib, é preciso começar com uma confissão honesta que ele costuma fazer: ele nunca trabalhou com uma "arma apontada para a cabeça". Graças aos bons negócios feitos por seu pai no passado, Nacib teve o privilégio de construir sua carreira não apenas pela sobrevivência, mas pela paixão e diversão.
Essa liberdade moldou sua visão de mundo. Desde cedo, aprendeu com o pai uma fórmula curiosa: "Meu presente é igual ao meu passado mais o meu futuro". Ou seja, somos o resultado da nossa história somado ao que projetamos para frente. Guiado por valores como família, constância e senso de justiça, ele levou para o mundo corporativo a certeza de que ninguém cresce sozinho.
Uma história define bem essa postura. Antigamente, quando trabalhava em uma empresa de alta tecnologia que fazia automação até de usinas nucleares, o telefone tocou. Era uma senhora pedindo para consertar um portão quebrado.
A resposta padrão corporativa seria desligar ou dizer "não fazemos isso". Mas a postura do Nacib foi diferente. Ele pensou: "Se esse portão cair, pode machucar alguém".
Ele não só atendeu a senhora com atenção, ajudando-a a encontrar um serralheiro no bairro dela, como em outras ocasiões chegou a levar uma chave de fenda para resolver problemas simples pessoalmente.
Pode parecer pequeno, mas essa atitude de se doar para resolver o problema do outro — independentemente do tamanho do contrato — é a base de tudo.Muitas vezes, uma conversa despretensiosa para ajudar alguém resultou em conexões com grandes players do mercado de tecnologia.
Em 2013, quando a equipe da Enex foi desmantelada após a compra pela Statkraft, Nacib se viu em uma encruzilhada. Ele percebeu que formava uma dupla poderosa com seu sócio, Felipe. Enquanto Felipe trazia o carisma nato das vendas, Nacib ocupava um espaço único: o de tradutor.
Ele não se considera o maior "papo de vendedor" do mundo, mas tem o tecnicismo necessário para navegar entre a engenharia pesada e a mesa de negociação. Ele vive nos dois mundos. Essa habilidade permitiu que a FN Energy nascesse não apenas como uma consultoria, mas como uma mentoria para ensinar engenheiros a venderem seus "ovos de avestruz" (projetos técnicos incríveis que ninguém vê).
A motivação para fundar a FN Energy, contudo, não foi apenas estratégica. Foi humana. Quando a antiga empresa fechou as portas para serviços terceiros, a maior preocupação de Nacib não era com seu próprio salário, mas com os colegas de campo — profissionais que ganhavam menos, estavam em lugares remotos como "Mulungu do Morro" e de repente se viram sem chão.
A FN Energy nasceu desse desejo de aplicar conhecimento para fazer outras empresas crescerem e, consequentemente, gerar oportunidades para esses profissionais. Seja ajudando a Cotesa a quadruplicar de tamanho ou mentorando startups de graça apenas pela amizade e para ver o setor girar.
No fim das contas, a história do Nacib é sobre entender que negócios são feitos de pessoas. E que, às vezes, atender um telefone para ajudar uma senhora com um portão é o melhor MBA que se pode ter.